Obrigada, Sra. Ryanair, sem você eu não conheceria Girona

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Há um ditado que diz que se a vida lhe dá um limão, faça uma limonada. Essa frase encerra uma enorme lição de otimismo e criatividade, que pude conferir: Pesando prós e contras, decidi comprar um bilhete aéreo Barcelona-Paris pela Ryanair, que, diga-se de passagem (sem trocadilho), estava ridiculamente barata mas, claro, contendo senões.

Para começar, o vôo estava marcado para as seis e cinquenta da manhã, logo eu teria que madrugar chegando ao aeroporto duas horas antes, ou seja, às cinco horas da matina, para fazer o check-in.

Pujada de Sant Domènec

Para terminar, esse aeroporto não ficava exatamente em Barcelona: Era em Girona, cidade distante cerca de cem quilômetros, leia-se uma hora e pouco de viagem seja de trem ou de ônibus. A propósito: o vôo me deixaria em Beauvais, uma cidade cerca de oitenta quilômetros distante de Paris e… uma hora de viagem.

Igreja de Sant Nicolau

Ou seja: Numa estimativa bastante otimista, sem dormir, eu teria que sair do hotel em Barcelona às duas e meia da manhã, pegar um taxi até a estação de trens ou a rodoviária. Dali esperaria o trem ou ônibus com partida às três e meia da madrugada para chegar ao Aeroporto próximo a cidade de Girona às dez para as cinco, horário do check-in. Uma viagem bem masoquista, convenhamos.

Catedral de Girona

Aí entra a história do limão. Claro que para pegar um voo antes das sete da manhã teria que haver sacrifício. Por outro lado, ganharia ao chegar cedo em Paris tendo o dia inteiro para aproveitar, além de tirar um cochilo de duas horas no avião.

Banys Àrabs

Já que a estada em Barcelona era razoavelmente longa, decidi passar as duas últimas noites em Girona, a cidade mais próxima do aeroporto. Fazendo a viagem de ônibus no final da tarde e sendo horário de verão, tive ainda umas quatro horas de luz para, encantada, descobrir como era bonita a cidade.

Passeig de la Muralla

No dia seguinte aproveitei para na parte da manhã visitar o Teatro Museu Dali, que fica na cidade de Figueres, terra natal do talentoso artista. De Girona para lá a viagem é de cerca de meia hora, tanto de trem como de ônibus. As estações ficam próximas em ambas as cidades, mas escolhi ir de trem por ter um horário mais conveniente.

Passeig de la Muralla

Conheci o interessantíssimo museu, dei um rolê pela cidade, e à tarde retornei para Girona, para percorrer mais detalhadamente as muralhas, a parte histórica da cidade e o antigo bairro judeu.

Jardins de La Francesa

Foi um dia agradabilíssimo. O início da noite foi dedicado a conhecer a parte moderna de Girona. Já um pouco cansada, aproveitei para dormir um pouco mais cedo, sabendo que teria que acordar às quatro e meia da manhã – Cedo, mas duas horas a mais do que teria em Barcelona.

Jardins del Salemanys

O hotel de Girona foi escolhido principalmente em função de sua proximidade com a rodoviária – menos de dez minutos a pé. Ainda tenho a lembrança do barulho das rodinhas da mala ecoando no silêncio da madrugada (fiquei sem graça com a possibilidade de acordar alguém). O ônibus deixou a rodoviária de Girona às cinco da manhã chegando ao aeroporto pontualmente vinte minutos depois.

Jardins de la Francesa

Depois de um voo tranquilo com sono idem, o pouso em Beauvais coordenado com a partida do ônibus foi um processo tão sereno, que permitiu dormir por mais uma hora. Chegando em Paris, foi só pegar o metrô (nada é perfeito, sem escadas rolantes). Depois de deixar as malas no hotel para mais tarde fazer o check in, já estava aproveitando meu crepe de nutella às onze e meia da manhã, sem sinal de cansaço.

Barri Vell

É claro que poderia ter escolhido um vôo direto de Barcelona para Paris. Apesar do baixo preço pago pela passagem, tive que acrescentar o custo dos deslocamentos Barcelona-Girona e Beauvais-Paris, ou seja, financeiramente a escolha não foi muito vantajosa. A opção aconteceu por conta dos péssimos horários dos vôos diretos que na ocasião estavam disponíveis.

Barri Vell

A mudança no roteiro valeu enormemente. Conhecer Girona foi uma extraordinária experiência. Se a Ryanair não fizesse esse trecho, possivelmente eu não teria conhecido essa linda cidade.

6 thoughts on “Obrigada, Sra. Ryanair, sem você eu não conheceria Girona”

  1. Ler seus apontamentos sobre Girona me deixaram com saudade. Nossos motivos foram diferentes. Eu fui específicamente para ir a Figueres visitar o Museu Dali e acabei sendo “obrigado” a conhecer Girona. As duas cidades são maravilhosas e eu sempre aconselho essa visita a quem vai a Barcelona.

  2. Engraçado: Eu também tinha vontade de visitar o Museu Dali em Figueres. Como já contei, tive dificuldade em encontrar horário de vôo decente saindo de Barcelona. Descobrir que o Aeroporto de Girona ficava perto de Figueres foi o principal motivo desse agradável desvio na rota.

  3. Olá! comprei uma passagem pelo site edreams. pensei que sairia de barcelona, mas minha ignorancia combinada com a malicia do site, me encaminharam ao aeroporto de girona. depois de 3 copos de limonada, resolvemos aproveitar para conhecer a cidade. obrigada pela dica!

  4. Gerunda,

    Desculpe o atraso – estava exercendo a função “viajante crônica” e tive problemas com os equipamentos comunicatórios.

    Que bom que você teve a sabedoria da limonada. Como eu já sabia previamente que partiria de Girona, providenciei o açucar: O vôo saía cedo e aproveitei para dormir em Girona. Era muito mais barato que Barcelona e bem mais próxima do aeroporto.

    Os contratempos e confusões na maioria das vezes são as melhores lembranças da viagem.

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