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Viajar sem estourar o orçamento requer dedicação e disponibilidade de tempo para pesquisar e planejar previamente alternativas para férias memoráveis sem abrir mão de experiências incríveis, hospedagem e alimentação decentes. Como tudo na vida é troca, o desprendimento na hora de arrumar a mala faz uma enorme diferença aumentando nossas possibilidades e diminuindo desperdícios de dinheiro e de tempo.

Já levei para passear roupas que sequer saíram da mala. A cada viagem, percebo que ainda é possível diminuir o lastro. Estarmos leves, nos torna ágeis, rápidos e independentes. Podemos dispensar taxis no aeroporto e distraídos carregadores de malas no hotel. Entrar nos trens fica descomplicado e permite que embarquemos sem despesas extras em um daqueles inacreditáveis vôos de baixo custo.

Em um post anterior (este aqui) havia abordado a questão “roupa”. Sujou tudo antes do tempo? Ao invés de usar o quase sempre caro serviço de lavagem do hotel ou comprar uma peça por obrigação, junto a roupa suja, e parto para uma lavanderia automática. Confesso que desfrutar uma experiência cultural quase como uma “local” me agrada bastante, mas sem exageros. Não vou transformar minhas férias em rotina longe de casa. A idéia é acrescentar uma pitada de diversão a uma situação enfadonha, porém necessária.

Por mais pitoresca que possa ser a aventura, o processo de lavagem e secagem da roupa, como em qualquer lugar do planeta, vai tomar umas duas horas do seu tempo, portanto a escolha do horário tem que ser sabiamente decidida, para tornar a tarefa o mais agradável possível. Como o horário de funcionamento dessas lojas é normalmente extenso, dá para encaixar sem atrapalhar a programação turística do dia.

Aproveitar o tempo da lavagem para explorar a área ou fazer uma ligeira refeição é uma boa forma de unir o útil ao agradável. Depois de carregar a lavadora, não precisa ficar plantado na loja hipnotizado com a espuminha dançando na máquina. Você tem cerca de uma hora para flanar antes de precisar voltar para transferir a roupa lavada para secadora, e ficar liberado para o segundo tempo da expedição com duração semelhante.

Vale escolher uma lavanderia que fique em uma região bonita, diferente ou próxima a uma atração que tenha sido descartada da programação por representar um desvio no roteiro. É desejável que seja bem conectada em termos de transportes, pois ninguém merece passar as férias gramando quilômetros ou fazendo conexões entre várias linhas de metrô com uma mala ou carregado uma sacola pesada.

Quem quer interagir deve escolher a parte da manhã. Nos dias úteis o público é basicamente composto de idosos, que gosta de oferecer ajuda e conversar. (Já faturei um bonito marcador de livros de uma senhorinha, minha xará). No sábado, o público é de gente estressada que trabalha durante a semana e a disputa por uma máquina pode ser maior.

Se lavar a roupa suja durante a viagem for inevitável, escolher a cidade com a maior permanência para não roubar o minguado tempo. Procure levar roupas que não precisem ser passadas, e na dúvida, não arrisque a pele de um traje que tenha especial apego: a alta temperatura da secadora faz encolher boa parte dos tecidos sintéticos. Apesar de mais leve, não vai ter graça nenhuma trazer de volta para casa algo que agora só caiba na Barbie ou no Ken.
Seria chover no molhado falar do encantamento que é visitar a capital da Republica Tcheca. Ao contrário de inúmeras cidades européias, Praga foi praticamente poupada dos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, mantendo preservado todo esplendor de sua belíssima arquitetura, para o deleite de quem tem a sorte de conhecê-la.

Como nem tudo é perfeito, acidentes acontecem e por um descuido no final da guerra, uma bomba americana, destinada a cidade alemã de Dresden, próxima dali, caiu em Praga destruindo um bonito prédio de esquina na orla do rio Vlatava. Os escombros permaneceram intocados por muitos anos entristecendo a paisagem até finalmente serem removidos na década de 60, ficando um buraco vazio no local.

A partir desta depressão, no sentido real e figurado, a cidade de Praga resolveu nos anos 90 levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Para tanto, foi decidido construir no local algo memorável: um prédio impactante e projetado por um peso pesado da arquitetura.

Com um terreno pequeno, o trabalho foi recusado por Jean Nouvel e outros estrelados. O americano Frank Gehry e o theco nascido na Croácia Vlado Mulunic toparam o desafio e, em 1996 foi inaugurado o controvertido “Tancící dum” (prédio dançante), também conhecido pelas alcunhas de “Ginger e Fred”, prédio bêbado e outros nomes engraçados.

Mesmo para quem não seja fã de arquitetura contemporânea, é impossível ficar indiferente à sua forma excêntrica e tão moderna contrastando com os prédios antigos ao redor. Dez entre dez turistas que passam no local não resistem e fotografam esta absolutamente interessante construção. Depois dão uma afastadinha para observar seus detalhes, tentar encontrar alguma simetria e, quem sabe, inventar um novo apelido.

Muita gente consegue ver em sua aparência retorcida, mais do que o famoso casal de dançarinos americanos , uma alusão à destruição causada pelo bombardeio. Outros interpretam a fachada que avança para a rua como uma superação das perdas da guerra. Colocando de lado a criatividade de cada um, este pequeno grande prédio desconstrutivista é inegavelmente surpreendente.

“Tancící dum” é um prédio de escritórios, portanto, tecnicamente não visitável. Acontece que no sétimo e último andar funciona o restaurante frances “La Perle de Prague”. Dá para tirar uma onda, reservando um almoço ou jantar e matar vários coelhos de uma só vez: A fome, conhecer como é por dentro esta obra de arte e ainda desfrutar de uma deslumbrante vista do Rio Vltava e do Castelo de Praga.

O endereço de Ginger&Fred é Rasinovo Nabrezi 80, esquina com Resslova em Nove Mesto, Praha 2. A estação de metrô mais próxima é Karlovo Namesti, linha B. Há também uma parada de tram bem próxima, a Jiraskovo Namesti, servida pelas linhas 17 e 21.

Este é o quinto “post” da série/saga que vem demostrando como é possível dar um giro em uma cidade européia de maneira descomplicada e sem necessidade de recorrer aos, algumas vezes caros, ônibus turísticos. Aproveitando que os transportes urbanos convencionais são confiáveis, pontuais e confortáveis, um turista que não dispõe de muito tempo, dinheiro ou os dois juntos pode, de maneira tranquila, fazer um passeio que permita ver alguns (ou muitos) pontos interessantes da cidade.

Ao preço de uma simples passagem, ou (melhor ainda), com um passe de transporte diário, basta seguir o itinerário de uma determinada linha - fatalmente existirá uma que contemple lugares bacanas, e aproveitar. Este recurso também se mostra bastante útil para pessoas com alguma dificuldade de locomoção, que estejam cansadas ou querendo fugir de um calor ou frio intenso e da chuva.

Desnecessário dizer que um lugar como Paris é mais bem apreciado ao nível da rua, andando. Talvez por isso e também devido ao fato de que quase todos os lugares na cidade são bonitos, fica difícil eleger “a” linha de ônibus que passa pela maior quantidade de atrações de peso.

Para reparar a imensa lacuna provocada pela tardia inclusão de Paris nesta série, destino onipresente no roteiro dos que visitam a Europa, optei por selecionar quatro finalistas no meu concurso particular de linhas de ônibus. Além de livrar minha consciência torturada pelo dilema da escolha, me redimo perante a fantástica “Cidade Luz” e ainda lavo as mãos. Embora exista um monte de coisas interessantes nas proximidades, menciono abaixo apenas atrações em que os ônibus passam especificamente na frente.

Linha 63 – Porte de la Muette – Gare de Lyon
Trocadéro
Palais de Chaillot e a Torre Eiffel
Pont de l’Alma
Quai d’Orsay, já na margem esquerda
Esplanade des Invalides
Assemblée Nationale
Grand Palais, o Petit Palais (do outro lado do rio)
Boulevard Saint-Germain no Quartier Latin
Institut du Monde Arabe
Quai Saint Bernard
Jardin des Plantes
Pont Charles-de-Gaulle e a Cité du Design et de la Mode
O ponto inicial é no lado impar do Boulevard Henri Martin altura da Place de Colombie. A estação de metrô mais próxima é a La Muette, na linha 9, para andar menos uma pedida é descer na estação Rue de la Pompe, na mesma linha e pegar o ônibus em frente ao 67 da Avenue George Mandel. Aqui, o itinerário em pdf.

Linha 29 –Gare Saint Lazare – Porte de Montempoivre
Palais Garnier e Place de l’Opéra
Bourse de Paris
Place des Victoires
Tour de Jean Sans Peur
Centre Georges Pompidou
Archives Nationales no Hôtel de Soubise
Musée Carnavalet no Marais
Place des Vosges
Place de la Bastille
L’Opéra Bastille
Promenade Plantée
Gare de Lyon
Viaduc des Arts
A charmosa cidade de Saint-Mandé, nas bordas do Bois de Vincennes.
O ponto inicial é na Place Gabriel Péri esquina com Rue de Rome. A estação de metrô mais próxima é a Gare Saint Lazare, linhas 3, 12,13 e 14. Aqui, o itinerário em pdf.

Linha 86 –Saint Germain des Pres – Saint Mandé
Église de Saint-Sulpice
Boulevard Saint-Germain
Église de Saint-Germain-des-Prés
Universidade Sorbonne V
Musée de Moyen Age (Hôtel de Cluny)
Institut du Monde Arabe
Pont de Sully
Île Saint-Louis
Musée de la Garde Républicaine
Place de la Bastille
Opéra Bastille
Place de la Nation
Parc Zoologique de Paris no Bois de Vincennes.
O ponto inicial é na Rue Saint-Sulpice, em frente à Igreja e a Place Rue Saint-Sulpice. As estações de metrô mais próximas são Saint-Sulpice na linha 4 e Mabillon na linha 10. Aqui, o itinerário em pdf.

Linha 69 – Champ de Mars – Gambetta
Parc du Champ de Mars
Place Jacques Rueff, com a Torre Eiffel à esquerda
Esplanada des Invalides
Boulevard Saint-Germain
Pont Royal
Quai des Tuileries
Quai François Mitterrand
Musée du Louvre
La Samaritaine
Quai de la Mégisserie e os buquinistas
Tour Saint-Jacques
Place du Châtelet
Hôtel de Ville
Église St-Gervais-et-St-Protais
Hôtel de Sully no Marais
Place de la Bastille
Opéra Bastille
Place Voltaire
Cimetière du Père-Lachaise
O ponto inicial é na Avenue Joseph Bouvard, no Champ de Mars. A estação de metrô mais próxima é a Bir-Hakeim, na linha 6. Aqui, o itinerário em pdf.

Quem está visitando a bonita capital da Bavária não deve restringir sua programação ao tradicional centro antigo. Apesar de obrigatório, Munique é uma enorme cidade e tem muitas outras áreas também interessantes que merecem ser vistas, principalmente por aqueles que vão acompanhados de crianças.

O Olympiapark que fica na parte norte, um dos mais belos parques de Munique oferece além de uma grande quantidade de atividades, uma incrível vista da cidade. Construído para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 1972, sua aparência moderna e excelente estado surpreendem: Nem parece que este sarado corpinho está prestes a completar quarenta anos de vida.


Um passeio na área do Olympiapark pode tomar um dia inteiro, dependendo do que se pretenda fazer por lá. As atrações são inúmeras como o Sea Life, o Estádio Olimpico, a Torre Olimpica com o Museu do Rock. De lá, se tem uma vista maravilhosa da cidade e em dias claros dá até para enxergar os Alpes.

O complexo tem uma esplendida cobertura, o maior e mais caro telhado do mundo. Projetado por Gunter Behnisch, também autor do Parque Olímpico, abrange uma superfície de cerca de 75.000 metros quadrados. As caminhadas e escaladas sobre o telhado são bastante procuradas. Antes de se animar, confira os horários e dias de funcionamento. Como o espaço do estádio em baixo é frequentemente utilizado para shows e eventos os passeios não acontecem nestas datas, nem durante seus preparativos.

Tirando fora as atividades nas instalações olímpicas, o parque é uma agradável área de recreação e um refúgio perfeito para descansar depois de tantas visitas. Com numerosos e bem conservados caminhos, o lago com cisnes, gansos e patos, é muito procurado pelos moradores principalmente nos fins de semana. No inverno, as colinas ficam cheias de gente escorregando com seus esquis e trenós.


Uma volta pelo Olympiapark pode ser também um excelente complementação a uma visita ao excelente museu da BMW que fica ali bem perto . Mesmo quem não é exatamente apaixonado por carros, motos e motores (como eu, e que fiquei umas três horas por lá) vai apreciar não só a arquitetura do prédio, mas seu extenso acervo e suas modernas instalações.

A melhor forma de se chegar ao parque utilizando transportes públicos é pegando o metrô linha U-3. A partir de Marienplatz no centro, siga na direção de Moosach, descendo na estação Olympiazentrum. A região é grande e requer alguma caminhada, mas em um ambiente tão agradável a árdua tarefa se transforma em prazer.
Não fosse o ser humano tão curioso, provavelmente não existiria o turismo. Buscar novidades, querer saber o que está acontecendo ao redor (e o que está longe também), faz parte de nossa natureza. Para alimentar esta necessidade, desde o tempo das cavernas, as notícias eram divulgadas por meio de pinturas. O tempo passou, surgiram novas formas de comunicação que continuam evoluindo e acompanhando os avanços tecnológicos.

Desde a invenção da imprensa, a propagação das novidades não parou de crescer, não apenas em quantidade, mas em velocidade cada vez maior. Hoje em dia, qualquer fato que aconteça no planeta, pode ser acompanhado em tempo real pela televisão, pelo computador ou telefone. Depois da Internet, os jornais impressos perderam o ineditismo e se não se adaptarem às mudanças, não vão durar muito tempo.

Contraditoriamente, uma instituição tão antiga como as bancas de jornal nem parece se abalar. Fazendo parte da paisagem de qualquer cidade, esse nem um pouco nostálgico comércio soube acompanhar as mudanças dos ventos e por isso consegue manter-se firme e forte.

É engraçado reparar que a aparência das bancas de jornal pouco varia no mundo inteiro. Quase todas parecem com uma grande caixa de metal, com uma abertura na frente e com o espaço totalmente usado para mostrar os produtos ali oferecidos. Muito mais do que um simples fornecedor de jornais, as bancas se transformaram em verdadeiras lojas de conveniências.

Algumas bastante caídas, outras um verdadeiro luxo, sua existência em um padrão planetário faz parte das referências de qualquer pessoa. São lugares capazes de fazer um viajante acometido de melancolia se sentir acolhido. Ele vai folhear uma revista, comprar uma barra de cereal ou uma bebida e por mais esquisita que seja a cidade, vai se sentir como se estivesse na esquina de casa.

Bancas de jornal são enormes aliadas de um turista. Identificá-las é facílimo e são encontradas em abundância e em quase todas as esquinas do mundo. Quem fez as malas às pressas provavelmente vai encontrar acessórios de cutelaria, lanternas, pilhas, mapas e guias. Se o calor é forte, tem água gelada e em alguns casos até sorvete. Está caindo um toró? Compre um guarda chuva ou uma capa plástica descartável. Passagens para ônibus ou metrô, cartões telefônicos para ligações internacionais, postais e lembrancinhas engordam a lista.

Uma banca de jornal é um verdadeiro cinto de utilidades que deve fazer parte da relação de “planos B” de todo viajante. Além de oferecer uma grande variedade de acessórios pau para toda a obra e ter o horário de funcionamento normalmente extenso, desempenha também o importante papel de ponto informal de informação turística.
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